Projeto visa autorizar a venda de carros leves a diesel no Brasil



  

Novo projeto de lei busca autorizar a fabricação e a venda de carros leves a diesel no Brasil.

Essa semana pode ser decisiva para o setor de automóveis. Isso porque está em tramitação e, ao que tudo indica, vai à votação nesta semana, um projeto de lei que autoriza a fabricação e venda de carros leves a diesel no Brasil. Após inúmeros anos de tentativas, pareceres negativos em comissões técnicas e muitas opiniões contrárias da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e de alguns empresários, citando a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, a ideia voltou à tona. Dessa forma, o combustível, tido como poluente, seria utilizado por veículos leves.

Segundo alguns especialistas ambientalistas, os utilizadores do diesel, até o momento, são caminhões, ônibus e carros comerciais. Somente pela utilização deste, poderia-se observar uma grande poluição do ar. Com a aprovação do projeto, o número de doenças poderia aumentar, causando a morte precoce de pessoas pelo material.

O óleo diesel é derivado do refinamento do petróleo, sendo uma fonte limitada e não renovável. Constituído de hidrocarbonetos de carbono, este possui incontáveis impurezas de enxofre, nitrogênio e oxigênio. O tema sobre a sua utilização voltou à pauta em 2015, em reunião da Câmara criada pelo presidente da Casa na época, Eduardo Cunha. Se aprovado, o projeto de lei vai para plenário no Senado.

Em audiências públicas que ocorreram entre outubro de 2015 e março de 2016, especialistas da fabricação de automóveis e peças, produtores de combustíveis, pesquisadores de saúde, além dos Ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia, Agência Nacional de Petróleo (ANP), Petrobrás e fabricantes de etanol e biodiesel se posicionaram sobre a questão. De maneira geral, estes foram contra o projeto devido aos problemas que ele poderá causar, como doenças respiratórias e cardíacas. Além disso, por sermos um país importador de diesel, o aumento de sua utilização geraria um desequilíbrio na balança do Brasil, gerando altos custos.

O relator, deputado Evandro Romam (PSD-PR), porém, pediu a aprovação da Lei, alegando ser favorável, uma vez que “o consumidor tem que ter a opção de escolher um destes veículos, pois os números são surpreendentes. Se você gasta hoje em torno de R$ 0,40 ou R$ 0,50 no Brasil para rodar com um carro movido a gasolina ou etanol, você gastaria em torno de R$ 0,15 para rodar com um carro a diesel”.





Em contrapartida, para Bruno Covas (PSDB-SP), “O único argumento favorável se limita à escolha do consumidor, quando há repercussões negativas econômicas, energéticas, ambientais”. Além disso, este ressalta que a Europa está discutindo a abolição destes carros, culpando estes pela poluição nas regiões metropolitanas. “E nós vamos receber o lixo tecnológico que vai ser proibido lá?", completa.  

A votação será, provavelmente, nesta terça ou quarta-feira. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Por Kellen Kunz

Carro a diesel

Foto: Divulgação



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